domingo, 5 de fevereiro de 2012
Too early...
São exatamente 4:13 da manhã. Não é estranho eu ainda estar acordada, insônia
é o que não me falta. Junção automática, coloco a cabeça no travesseiro e
voilá: começo a pensar na vida. Sem pé e com cabeça, sempre é bom repensar nas
coisas que você já fez, nas boas lembranças que você carrega e nas pessoas que
marcaram grande parte dela. Aquelas que com um simples 'oi' entrou
definitivamente na sua vida... e aquelas que marcou sua infância, mas que, por
motivos ou não, já não se encaixam mais na sua vida... o que a torna uma coisa
absurda, um parênteses infinito. Penso que quanto mais a gente vive, mas a
gente tem que aprender a viver. A gente ama, a gente grita, a gente sente, a
gente briga, a gente vive... e é assim, até uns 80 anos (só os fortes vivem
mais!). Meu desejo é não viver muito. Quero viver suficientemente feliz, o
tempo necessário para que não me traga desapegos, desânimos e nem dramas para
minha velha idade. Não quero chegar nos 80, tampouco nos 79... quero cuidar de
mim mesma, do meu parça e do meu cachorro. 19 anos e eu prevendo meu prazo de
validade, estranho né? Mais estranho
ainda é eu sentir que vivi muito, mas que tenho muito ainda a descobrir. Já
amei, já fui amada, rejeitada e excluída. Eis o mistério da vida: quem nunca
foi? Chega um certo tempo que você se sente na obrigação de chegar em lugares
que você ainda não conhece, conhecer pessoas, respirar novos ares, amores e
bares... e que nada, jamais, em hipótese alguma alguém te impedirá de navegar.
Mas confesso que sinto falta do amor, sinto falta de amar. E eu sou de alguém,
só não sei quem. Nessa minha tão pouca idade, jamais senti a emoção profunda de
poder acordar e ligar pra alguém só pra dizer que tive um sonho. E que
finalmente estou amando. Precisa-se de muito para isso acontecer. Eu chego lá,
conheço a pessoa, conversamos, rimos, e no outro dia mal faço questão da minha existência...
mesmo que eu ama viver, com todas as vogais e consoantes, e aprecio cada dia da
minha vida, amo as pessoas, minhas família e meu cachorro que morreu ano
passado. Tanta coisa a gente leva, tanta vida a gente vive... mas amor de
verdade? Não, nunca senti. Apenas amei. Essa explosão cômica via artérias, e
pulmões, e estômagos e contrações nunca esteve incluso no meu contexto. Se eu
vou amar assim um dia? Espero, e quero muito. Ter alguém pra curar meus domingos
noturnos, meus meios de semana, meus dramas e pálpebras saltitantes de estresse
me deixaria muito feliz. Mas não estou à procura. Meus filmes dramáticos estão
se saindo muito bem em quesito companhia! E, por incrível que pareça, estou
feliz em saber que logo serei independente. Não terei que dar mais caronas pra
meias paixões corrompidas e nem esperar que a conta seja dividida. Terei um
h.o.m.e.m, moreno, alto e tatuado que curará toda minha angustia e me trará de
volta qualquer noite em claro. Não quero paixão, eu quero amor... tão real
quanto o de Tom Hansen. Afinal, quem sou eu pra saber o que é amor... tenho só
19 anos certo? Errado. Meio certo. Tenho 19 anos e sou mais fácil de me apegar
com o cachorro do vizinho que late o dia intero do que a qualquer ser humano
estúpido do sexo masculino que se diz amar em falso. Ou que nem se diz. Eu
vejo, eu sei.. minhas amigas vivem chorando por não serem amadas, mas até
quando essa dependência infantil? Todos somos egoístas demais. A gente gosta do
que não se pode ter, e o que não gostamos conquistamos fácil demais... e quando
a gente gosta e possui, desgostamos. Vai entender. Afirmo, em negrito, que um
dia eu desvendo o misterioso caso da vida sem sentido (ou crio um filme, rs). E
quando eu descobrir, pode apostar, vou ter passado dos 80. A gente vive
simplesmente por viver. Ninguém quer saber porque o trombadinha da avenida não
muda de esquina, ou porque o vizinho tem um gosto musical tão estranho. A gente
se acostuma com o que está acostumado a ver e leva isso como rotina. Temos o
hábito de desejar um futuro incerto... damos o pior, mas queremos sempre o
melhor... nos acomodamos demais empurrando tudo com a barriga, e se esquecemos
de que a vida é uma só. Ela só não é doce porque você é responsável pela
amargura. E enquanto muitos vão sendo felizes com pessoas que mal se quer
conhecem e que inventam um amor desconhecido, outros enfiam a cara nos livros,
passeia com o cachorro e fica esperando o amor de verdade, com contrações e
tudo, bater na porta. Like me.
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